Bonde de Santa Teresa

 

Por Amélio Morais

Na expectativa de que todos os problemas que envolvem a volta dos bondinhos sejam resolvidos e, que no segundo semestre de 2015, eles voltem a circular, para a alegria do carioca, especialmente do povo de Santa Teresa, nós, viajantes também estamos ansiosos por sua volta, pois são os únicos que ainda circulam no Brasil.

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Fotos 1 e 2 (CC BY 2.0) e Fotos 3 e 4 (CC BY-ND 2.0) – Créditos: Rodrigo Soldon – Fonte: Flickr

DE VOLTA AO COMEÇO

Principal símbolo do bairro, o bonde mais famoso do Brasil começou sua história em 1872.

Em sua existência, algumas mudanças e alguns episódios marcaram sua trajetória, como em 1896, quando passou a ser movido por eletricidade, deixando para traz os burros como parte de sua história.

Em 2005 deixou de circular por motivo de greve operacional. Em 2011 saiu novamente de circulação com mais uma parada forçada, motivada por dois acidentes: um ocasionando a morte de um turista francês que caiu dos Arcos da Lapa e o outro com o descarrilamento do bonde, levando a morte mais 6 pessoas e deixando outros 50 passageiros feridos depois de chocar fortemente contra um poste.

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Foto 1: Ptérodactyl Ivo – Fonte: Flickr (CC BY 2.0)           Foto 2: Rogerio Zgiet – Fonte: Flickr (CC BY 2.0)

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Foto 1: Rodrigo Soldon – Fonte: Flickr (CC BY-ND 2.0)       Foto 2: Rogerio Zgiet – Fonte: Flickr (CC BY 2.0)

Mas o bondinho continuou sua história e voltou a circular normalmente, repaginado e com mais segurança, em suas duas linhas por Santa Teresa: Paula Matos e Dois Irmãos, passando de verde para amarelo e com isso deixando de ser confundido com a vegetação do bairro, motivo principal das reclamações dos moradores de Santa Teresa. Porém, em seu novo visual foram preservadas as principais características do antigo, levando a bordo 32 pessoas sentadas.

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Foto 1: Rodrigo Soldon – Fonte: Flickr (CC BY 2.0)           Foto 2: Cyro A. Silva – Fonte: Flickr (CC BY 2.0)

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Foto 1: André Oliveira – Fonte: Flickr (CC BY 2.0)                   Foto 2: Dany13 – Fonte: Flickr (CC BY 2.0)

Andar de bondinho é poder contemplar lá de cima dos Arcos da Lapa, com a nítida sensação de estar voando, a bela paisagem e tudo que se passa ao redor. Para quem faz a viagem pela primeira vez, é um momento raro e de pura emoção. O bonde trafega faceiro pelo bairro de casarões seculares, dá alguns trancos e balança muito. Às vezes parece até que vai sair dos trilhos, mas também é uma festa.

Em meio ao vai e vem de veículos, motos e bicicletas subindo e descendo as ladeiras de ruas apertadas, contracenando com as pessoas, o bonde vai seguindo com vários passageiros penduradas em suas laterais e sempre com alguém pegando uma carona aqui e outra ali. Mas com as novas normas de segurança, que com certeza serão implantadas em sua volta, até por uma questão de segurança, esse costume pode estar com os dias contados.

Um passeio no bondinho é como buscar no túnel do tempo, uma viagem que você ainda não fez. Os bondes são abertos, com bancos de madeira envernizados, mas com muita arte, balançando, expondo seu charme e repicando seus sinos, como que dizendo: estou chegando. E são os últimos remanescentes de um transporte símbolo do passado, talvez só encontrado nos dias de hoje em Santa Teresa. Não me vem ao conhecimento, esse tipo de transporte circulando em outros lugares do mundo. E o curioso, é que nós viajantes vemos o bonde como um transporte turístico, mas o bonde, na verdade, é um transporte utilitário e comum para os seus usuários do dia-dia, apesar das linhas de ônibus existentes.

Estação de partida: Largo da Carioca, bem próxima à sede da Petrobrás.

Rodrigo Soldon

Créditos: Rodrigo Soldon – Fonte: www.flickr.com (CC BY 2.0)

Luiz Fernando ReisLargo da Carioca II Luiz Fernando Reis

Créditos – Foto 1 e 2: Luiz Fernando Reis – Fonte: www.flickr.com (CC BY 2.0)

FIM DE SEMANA

Diferente das linhas normais da semana, onde a maioria dos usuários faz uso do bonde (bairro-centro-bairro) em sua rotina diária, aos sábados os serviços ficam disponibilizados para o Bonde Ecológico com destino ao Museu do Bonde e Silvestre (linha desativada temporariamente).

O BAIRRO

O bairro Santa Teresa é a continuação e preservação do Rio Antigo. Já foi nobre, mas não perdeu sua essência, ou seja, o interesse cultural e turístico.

É um bairro com bastante história e de pessoas simples, num local privilegiado, no alto de uma serra, com uma vista fantástica para muitos lugares do Rio. Faz limite com os bairros da Zona Sul (Catete, Glória, Laranjeira, Cosme Velho, Botafogo e Humaitá), Zona Central (Rio Comprido, Lapa, Cidade Nova e Catumbi) e Zona Sul e Cento (Alto da Boa Vista), com acesso ao Parque Nacional da Tijuca e Cristo Redentor.

T ChuLidyanne Aquino

Foto 1: T Chu – Fonte: Flickr (CC BY 2.0)           Foto 2: Lidyanne Aquino – Fonte: Flickr (CC BY 2.0)

T ChuCateherine

Foto 1: Cateherine – Fonte: Flickr (CC BY 2.0)         Foto 2: T Chu – Fonte: Flickr (CC BY 2.0)

E como em muitos lugares do Rio, o bairro, além dos bondinhos, também tem outros atrativos:

CASA DO NAVIO

A Casa do Navio, situada à Rua Almirante Alexandrino no Largo do Curvelo, é a mais antiga do bairro.

CASTELO DE VALENTIM

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Foto 1: Rogerio Zgiet – Fonte: Flickr (CC BY 2.0)           Foto 2: caoscarioca – Fonte: Flickr (CC BY 2.0)

O Castelo de Valentim está localizado no topo de uma colina, uma fortaleza em estilo neo-romântico. É muito bonito!

CENTRO CULTURAL LAURINDA SANTOS LOBO

Laurinda Santos Lobo foi uma mulher que praticamente comandou a vida intelectual do Rio. O Centro Cultural que leva seu nome nos mostra um acervo fotográfico da época. Possui também salas de vídeo e exposições.

LARGO DAS NEVES

Para quem pega o trajeto Paula Matos, ao descer no Largo das Neves, vale a pena conhecer a antiga Igreja Nossa Senhora das Neves. Vale também destacar os bares daqui, que são bastante concorridos e com muito a saborear. Fica a dica de quem já experimentou o caldo verde do Bar do Goyabeira e o camarão do Santa Saideira.

LARGO DO GUIMARÃES

O Largo do Guimarães é a área boêmia do bairro e também um importante polo gastronômico, pois é parte de um patrimônio que se firma a cada ano como uma das principais atrações turísticas do Rio de Janeiro. É considerado o coração do bairro. E, entre choperias, bares e restaurantes, tem muita gente bonita, artistas e intelectuais.

No Largo do Guimarães, o visitante encontrará vários estabelecimentos importantes como o Bar do Mineiro, Adega do Pimenta, Bar do Arnaudo e Sobrenatural. São estabelecimentos com muita tradição no bairro, disponibilizando sabores da melhor qualidade como, por exemplo, o Sobrenatural com seus frutos do mar e o Bar do Arnaudo com a tradicionalíssima comida nordestina. Pode apostar que vale a pena!

MUSEU CASA DE BENJAMIN CONSTANT

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Foto 1: Museu Casa de Benjamim Constant          Foto 2: Ministério da Cultura – Fonte: Flickr (CC BY 2.0)

Quando o bonde adentra a belíssima chácara onde viveu Benjamin Constant, já dá pra perceber o que virá pela frente. O lugar é maravilhoso. Possui uma área bastante arborizada contracenando com a casa transformada em museu, onde estão expostos vários objetos, material fotográfico, livros e acervos de artes plásticas.

PARQUE DAS RUÍNAS

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Foto 1: Wikimapa – Fonte: Flickr (CC BY 2.0)         Foto 2: Arthur Neto – Fonte: Flickr (CC BY 2.0)

Alex ThomsonAlex Thomson

Fotos 3 e 4: Alex Thomson – Fonte: www.flickr.com (CC BY-SA 2.0)

O Parque das Ruínas proporciona aos nossos olhos uma visão panorâmica espetacular da cidade do Rio de Janeiro. É preciso conhecer para entender certos trunfos da natureza. O lugar é fantástico, com shows ao ar livre, área interna e happy hours.

MUSEU CHÁCARA DO CÉU E MUSEU DO BONDE

Santa Teresabonde model Jim Killock

Foto 1: Ministério da Cultura – Fonte: Flickr (CC BY 2.0)     Foto 2: Jim Killock – Fonte: Flickr (CC BY 2.0)

Museu Chácara do Céu: Para quem gosta de arte, principalmente as obras de arte moderna assinadas por Portinari, Di Cavalcanti, Guinard, Picasso, Matisse e Dalí, definitivamente, é um passeio imperdível. Também estão expostas no Museu Chácara do Céu pinturas de Jean-Baptiste Debret e Nicolas-Antoine Taunay. – E Museu do Bonde, que fica próximo ao Largo do Guimarães, onde você passa a conhecer tudo sobre os veículos passados ao longo das décadas, exibidos através de fotos do Rio Antigo, vídeos e miniaturas de algumas de suas réplicas antigas, além de um grande acervo iconográfico mostrando toda a história dos bondes desde o tempo em que ainda eram puxados pelos burros.

CONVENTO SANTA TERESA

 Cyro A. SilvaHalley Pacheco de Oliveira

Foto 1: Cyro A. Silva – Fonte: Flickr (CC BY 2.0)      Foto 2: Halley Pacheco de Oliveira – Fonte: www.commons.wikimedia.org (CC BY-SA 3.0)

O Convento Santa Teresa foi que deu origem ao nome do bairro e contribuiu historicamente para o desenvolvimento do Rio de Janeiro.

Mas as atrações não param por aí. Ainda têm as igrejas Matriz de Santa Teresa de Jesus e Ortodoxa Russa de Santa Mártir Zenaide e os ateliês, centros artesanais e culturais. Para quem gosta de folia, os blocos carnavalescos, entre eles o Bloco das Carmelitas, um dos mais tradicionais do Rio, atraindo milhares de foliões nas ruas do bairro durante o carnaval e a imperdível obra de arte mutante de Jorge Selarón, junto à Escadaria do Convento de Santa Teresa.

QUEM FOI JORGE SELARÓN

De origem chilena, Jorge Selarón foi um pintor ceramista autodidata radicado no Rio de Janeiro, onde instalou uma série de banheiras ajardinadas nas calçadas, pintadas e adornadas com azulejos, sua mais importante obra, um mosaico de cores localizado à Rua Manoel Carneiro, que também é conhecida como “Escadaria do Selarón”, ligando a ladeira de Santa Teresa à Rua Joaquim Silva, no bairro da Lapa, cujo trabalho foi inspirado no Parque Güell de Barcelona.

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Foto 1: Rodrigo Soldon – Fonte: Flickr (CC BY-ND 2.0)        Foto 2: Lawtonjm – Fonte: Flickr (CC BY-ND 2.0)

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Foto 1: WM 2014 – Fonte: Flickr (CC BY-SA 2.0)        Foto 2: Alex thomson – Fonte: Flickr (CC BY-SA 2.0)

Selarón era um homem simples. No início os vizinhos até zombavam dele por sua escolha de cores.

Tudo começou em 1994, quatro anos após fixar residência junto à escadaria, com o início da copa do mundo, quando os moradores decoraram a escadaria de verde-amarelo. Tal acontecimento motivou Selarón a azulejar os degraus, num trabalho solitário, contando com a renda alcançada através da venda de seus quadros nos restaurantes da cidade, complementada com a ajuda de moradores e doações vindas de mais de 60 países, para os mais de 2.000 azulejos coletados e bordados na obra de 250 degraus com 125 metros de comprimento.

Selarón tinha verdadeira obsessão pela obra nunca completa e sempre afirmava: “Este sonho louco e único só vai acabar no dia da minha morte.”

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Foto 1 e 2: Callectif Les Enfants – Fonte: Flickr (CC BY 2.0)

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Fotos 1 e 2: Rodrigo Soldon – Fonte: Flickr (CC BY-ND 2.0)

Com o tempo e o crescente interesse público, sua obra foi incluída nos roteiros turísticos da cidade e, consequentemente, houve uma ascensão no quesito financeiro, o que lhe proporcionou fazer inúmeras modificações em seu todo e a sua concepção como obra de arte mutante, já que os azulejos continuavam chegando, partindo de doações de fãs do mundo inteiro.

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Foto 1: WM 2014 – Fonte: Flickr (CC BY-SA 2.0)             Foto 2: Yan Duarte – Fonte: Flickr (CC BY 2.0)

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Fotos 1 e 2: Collectif Les Enfatnts – Fonte: Flickr (CC BY 2.0)

Ameaçado de morte já há algum tempo antes, Selarón foi encontrado morto aos pés da escadaria, em frente sua casa, com o corpo carbonizado, no dia 10 janeiro de 2013.

A Escadaria Selarón, hoje é um patrimônio tombado pela Prefeitura do Rio de Janeiro.

 

 

 

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